• 1 Bruno Mendes
    Âncora do Esporte Show prevê vagas para a Copa de 2014
  • 2 André Barroso
    Repórter do Globo Esporte fala sobre a rotina da profissão
  • 3 Mateus Baeta
    Editor do Jornal de Brasília defende produção independente
  • 4 Project 4
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Mercado de jornalismo esportivo no DF evolui aos poucos

Quem pensa que o único espaço para se fazer jornalismo esportivo no Brasil se resume a centros, como Rio de Janeiro e São Paulo, está enganado. O mercado em Brasília se desenvolve e abre mais oportunidades para quem deseja ingressar nessa área. Com a demanda maior, os que querem entrar nesse meio precisam se adaptar às novas regras que a rotina jornalística exige. O esforço, segundo profissionais da área, não é recompensado financeiramente logo no início, mas com determinação e trabalho de qualidade o jornalista pode alcançar uma boa colocação sem ter que sair do Distrito Federal.

Com pouco desenvolvimento e consistência no cenário nacional, o futebol candango ainda caminha lentamente. Mesmo assim, o esporte que é paixão nacional não deixa de ser o carro-chefe na capital federal. Justamente por essas dificuldades, os jornalistas que pretendem entrar na cobertura esportiva se enganam ao achar que vão fazer grandes coberturas logo no início. Diferentemente de Rio de Janeiro e São Paulo, onde o volume de informações é bem maior, na cobertura local o repórter precisa desdobrar-se. Equipes menores, escassez de mão de obra qualificada e falta de apoio aos eventos esportivos são alguns dos obstáculos citados por quem atua no jornalismo esportivo em Brasília. Os obstáculos, porém, na previsão dos profissionais do ramo, serão bem menores no futuro.

Com a vinda de grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, o Brasil mostra um amadurecimento na visão esportiva. Ao tratar o esporte como um dos pilares de desenvolvimento, o país passou a encarar o esporte como fonte de aquecimento da economia e geração de emprego. Esse avanço influenciará diretamente o mercado de jornalismo esportivo brasiliense. Além disso, a capital federal é o centro das movimentações políticas, que são importantes para todo o Brasil. Muitas decisões e votações que envolvem o esporte são decididas nos ministérios, na Câmara ou no Senado. Essas situações rendem matérias para a imprensa esportiva. Com esses dois eventos esportivos de grande porte, a demanda será maior para a imprensa brasiliense.

Há alguns anos, o esporte tinha pouco espaço no jornalismo em Brasília e não era tão privilegiado. Hoje, quase todas as emissoras de TV aberta têm um programa diário voltado para o setor. Os jornais impressos de maior circulação da cidade também possuem cadernos esportivos que cobrem os eventos da capital. É o que conta Paulo Rossi, editor do caderno de esportes do Correio Braziliense até o ano passado.





Profissionais experientes como Rossi, que chegou a cobrir a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, são testemunhas dessa abertura de mercado. Com o avanço, as equipes aumentaram e passaram a dar mais valor ao esporte local. Jornalistas como Bruno Mendes, apresentador do programa Esporte Show da TV Brasília, admite que as editorias responsáveis pela cobertura esportiva são pequenas. Por isso, Mendes alerta que para conquistar espaço, o repórter precisa conhecer todos os processos da produção de notícias, além de estar preparado para lidar com qualquer tipo de mídia.




No início da carreira, como afirma Bruno Mendes, o salário não é encorajador. De acordo com o apresentador do Esporte Show, os jornalistas de televisão e jornal impresso são mais bem pagos que os de rádio e internet. A média inicial em TV e impresso é R$ 2 mil, enquanto em rádio e internet gira entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil. Além disso, as condições de trabalho não são muito favoráveis.






“Você começa por baixo, cobrindo as séries B e C do Campeonato Candango, torneios de iatismo no domingo ou partidas amadoras no entorno”. É o que conta o editor de esportes do Jornal de Brasília, Mateus Baeta. Segundo ele, a melhor forma de entrar nesse mercado é fazendo uma cobertura independente e botando a mão na massa com a cobertura local, que serve de preparação para a entrada na grande imprensa. Ele lembra que com a chegada das novas tecnologias, ficou mais fácil apresentar o trabalho ao mercado.

Entrada no mercado


Um ano como estagiário da emissora e um contrato logo ao término da faculdade de jornalismo. Dessa maneira, André Barroso viu seu esforço como um estudante e aprendiz da área ser recompensado. Contratado há apenas dois anos pela TV Globo no telejornal Globo Esporte, o repórter é um dos exemplos da atual geração de jornalistas esportivos na capital federal. Para ele, foram determinantes para a efetivação a iniciativa e a força de vontade. Ainda na opinião de Barroso, o futuro profissional que quiser ingressar nessa carreira tem de estar atento também aos veículos de comunicação esportiva da cidade.




O repórter da TV Globo acredita que seja possível construir uma carreira sólida sem precisar ir para pólos como Belo Horizonte ou Porto Alegre. Porém, prevê que, naturalmente, chegará um momento em que o jornalista vai querer sair da cidade para cobrir grandes clubes e eventos do país. Ao contrário do que pensa Barroso, Luiz Roberto Magalhães, repórter do Correio Braziliense, diz que nunca teve vontade de sair da cidade para trabalhar em outro centro. “Não tenho nem tive a menor pretensão de ir para o Rio ou São Paulo. Estou satisfeito aqui e a vida lá não me agrada”, afirma. Magalhães alerta que é muito complicado buscar emprego logo depois da graduação nessas cidades, porque o mercado é muito fechado.





Diploma e ensino



Em relação a não-obrigatoriedade do diploma de jornalista, os profissionais entrevistados são unânimes: segundo eles, no momento, as empresas ainda cobram a formação acadêmica para o exercício da profissão. A longo prazo, porém, as opiniões se divergem. Alguns acreditam que o diploma continuará sendo exigido pelas empresas jornalísticas para o exercício da função. Outros esperam que no futuro, o mercado pode sofrer mudanças.








Independentemente das possíveis mudanças que o mercado de jornalismo esportivo sofra em Brasília, todos concordam que é uma área que oferece realização profissional. Uma particularidade cerca o campo do jornalismo esportivo: a demanda maior de trabalho nos finais de semana. Enquanto os outros se divertem, o repórter esportivo está no trabalho. Isso porque, na maioria das vezes, os grandes eventos esportivos acontecem aos sábados e domingos. Mas nada que impeça os repórteres de se satisfazerem durante o expediente. Luiz Roberto Magalhães, que cobriu a Olimpíada de Pequim em 2008, na China, defende as vantagens da profissão acima de qualquer suspeita. “No jornalismo esportivo, você une prazer ao trabalho. Em nenhuma outra profissão eu teria a oportunidade de estar dentro de campo durante a final de uma Copa do Mundo. É um lugar onde todos queriam estar – e ainda recebo para isso.”



E você? Acredita que haverá espaço no mercado para a crescente demanda de jornalistas esportivos? A Copa de 2014 deve
realmente ampliar essa área? Clique no título da matéria para abrir o espaço de comentários e deixe sua opinião!